Textos Velhos (JWU): Ernandianas 1: no Parangolê...



Dourado - da cor da cerveja.
Uma forma do Jesus e dos Apóstolos.

Nus de palavras, sem poder nenhum, a Cidade é
Baixa, como os passos silenciosos da trupe.

Assim, depois dos afazeres,
Nesse mundo de 7000 seres e caos os quase irmãos de piada e utopia
Andamos essa penumbra de cidade amada, esse sol que vai-se dormindo até novo aviso
E, por enquanto tanto e tanto será feito
Para alimentar os entardeceres de Paripiranga, as luzes de meio-dia da Vila Dique,
A frescura surpresa da brisa no meio da Ponte Rio-Niteroi,
Uma Vila de São Carlos...
Santa Teresa
Ou algum outro sinal que não sabemos, que não sentimos sequer
E que - ignorantes e felizes - nos move à suavidade de um copo, a um pedaço de calçada,
À luz distante de uma promessa ou de um bar
E desde violões e ovos sonorosos somos testemunhas dos corais e dos tremores
Escondidos durante o dia e que - corujas noturnas - manifestam seu poder de amar e curar
Enfeitam nosso Amor, nossa risada exagerada, os contos e giros do Ernande,
Suas raivas bíblicas, as formas novas com que o mar se separa e
O povo vai fugindo ao encontro de terras de leite e mel
Que, desencanto, são vendidas e adulteradas, mas são
Saborosas na essência mais essencial das essências
Horas ou anos se comprimem no meio dos copos e do queijo, pimenta e goiabada... 
E embora todos na mesa soubessem que ele preferia a boa e simples Polar
O nosso urso dos encanamentos vai bebericando solidário e agradecido
Chopes artesanais, corujas, lagartixas, veados, comidas estranhas
Sotaques indeterminados ou pelo menos quânticos
E voa feroz ate os taxis do Olaria... E desaparece pela noite gulosa 
Ate nova missão de profeta... Aquele que anuncia o novo... Aquele que mostra os caminhos
De tortas linhas, de senhores despidos, de poderosos ridículos

Os outros, somente peregrinos,
vemos o urso enfiar-se rápido nos encanamentos
E esboçar sorriso cruel


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