eolo y las fuentes (un poema de 1986)



para C.T.T.

1.
Eolo, viejo dios de los navíos, hace nuestra hora en su soplido
Entonces, cada vez más oscuro, el deseo de los espacios infinitos te va llamando
Eterna en tu inicio. Islas cansadas, todas las imágenes de la poesía,
En tu rostro son repetidas con bello canto y arpegio de guitarra
Y espero, tocando en temblores apacibles las hojas del bambú de los antiguos monjes,
Revisando contigo tu caligrafía de madrugadas.
Viene la cercanía, y la paz de los patios está por lo menos escrita en las horas
Nada ha de cambiarse, bello cuadro que recuerdo.
Viejo Eolo   /   largo viento que hoy me besas

2
la paz de las fuentes señala el sol que salta entre las aguas
allí, entumecido y feliz, me guardo para las glorias de setiembre
he contado años en tus cuadernos
asombrando mis milenios / dejando aparte la muerte de las ilusiones
y recojo entre la hierba extensa
pequeños mensajes
que te van queriendo



Olimpo, Agosto de 1986





[Julio Alberto Wong Un escreve na Rua Balsa das 10 às segundas-feiras]

Comentários

  1. Vasculhando arquivos encontrei o conjunto de poemas de 1986, Eolo y las fuentes. Tinha então 23 anos. Os poemas foram feitos para um amor de 3 meses. Muito poético e incorpóreo. E, pelo segundo fato, pouco duradouro. Ainda, a minha inabilidade de me relacionar era dramática, frustrante. Mas eu só iria perceber anos depois.

    A gente percebe as coisas faltas e omissas quando se acede a novas dimensões e experiências, no caso do amar e do criar poesia.

    O poema, visto 26 anos depois, se sustenta. Não posso me queixar. O artesanato da palavra foi cuidadoso. Mais do que hoje talvez.

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  2. Gostei Júlio. Como você definiu muito poético e incorpóreo. Agora tenho 23 anos, essa sensação de olhar textos de muito tempo atrás, às vezes nos reconhecemos nas palavras, outras estamos inexplicavelmente irreconhecíveis.

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    1. Querida Mayara. Se agora tem 23 nenhum dos seus textos é de "muito tempo atrás", rs. Parece com a minha filha de 11 anos, Cacá. Quando ela tinha 8 falava assim: há muito tempo atrás... o ano passado... e citava algum fato.

      Quanto à estranheza pelo escrito no passado concordo. Neste caso, do Eolo y las fuentes, invejo. Sabe Grappa? O aguardente de uva dos italianos? No Peru temos Pisco, parecido.

      Se diz que um pisco bom é feito da destilação paciente e demorada de muitos quilos de uva.

      Este poema tem cara que foi feito assim. Hoje sou mais espontâneo, irresponsável. Mas me sinto bem assim. São fases da vida. E esta fase é a da recuperação da leveza e da espontaneidade.

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