Balsa à deriva

“Porque até extravios são motivos de inspiração” – Maria Amélia Mano

Escadarias de Dubrovinik - Croácia
 
Entre voos aéreos e voos poéticos cheguei na Croácia para o Congresso Rural de Medicina de Família e Comunidade (WONCA Rural 2015) com uma apresentação oral e um workshop sobre a Liga de Educação em Saúde em dois pendrives e era para ter chegado um banner do Rua Balsa das 10.

Frustrações aéreas, precisava achar uma nova forma de imprimir o banner na Croácia. Tinha apenas quinze minutos à deriva de internet wifi gratuita do aeroporto para encontrar meu próximo destino em uma língua totalmente estranha, o croata. Consegui achar um lugar, com ajuda carinhosa e Google tradutor na ensolarada Dubrovinik, rapidamente localizei o lugar no mapa e lá se foram os quinze minutos de rede.

O dito-cujo
Mal imaginava que a cidade era toda recortada por escadarias, e logo que o ônibus chegou ao centro comecei a saga para encontrar em croata o local que poderia imprimir meu banner. Depois de duas horas subindo e descendo escadas carregando minha pequena malinha, que a cada degrau parecia mais pesada consegui encontrar o lugar que um Croata gentilmente me levou porque ele não sabia explicar em inglês e eu não entendia croata e jamais encontraria com minhas péssimas habilidades de localização. Depois de mais uma escadaria, cheguei finalmente à gráfica. 

Portas fechadas empurrei um pouquinho e fui entrando. Duas mulheres sentadas na mesa de atendimento conversando e rindo, cheguei gesticulando e perguntando se alguém falava inglês. Uma delas disse “yes”, mas assim que comecei a falar ela não entendeu nada, nem eu entendi o inglês. Aí começou uma arte de mímica para dizer que queria imprimir um banner de 120x90 cm, mímica, escrita e todos os recursos que consegui utilizar. Primeiro eles me deram um preço altíssimo em kunas croatas (moeda local) aí eu, ainda não sei como, disse que estava muito  caro e consegui negociar um outro tipo de impressão por menos. Depois de conseguir negociar o banner bateu a fome e fui procurar um lugar para comer, outro desafio fora da área turística da cidade.

Banner na mão e sensação de que alegria fui para o local do congresso, o banner estava sem nenhuma proteção então fiquei fazendo malabarismo para ele não amassar carregando minha mochilinha com a câmera e a malinha. Descobri que ia ficar longe, muito longe em uma acomodação estudantil, pelo menos dois ônibus, mais escadas, e percebi que o banner não iria aguentar. Conversei com a recepção do congresso e eles disseram que eu não poderia deixar o banner lá, tentei explicar fui falando com as pessoas até que vi vários banners esperando em um cantinho pela manhã seguinte quando seriam pendurados, conversei com a “bag area” e descobri que eles poderiam ficar com o banner da Balsa!
Missão cumprida até eu pendurar o pedacinho de balsa no dia seguinte.

Dia de sol, risada entre os novos amigos cheguei na conferência depois de quase uma hora de ônibus, escadas e caminhada para finalmente pendurar o dito-cujo. E pasmem acreditem ou não a organização tinha perdido o banner da balsa. E logo perderam a paciência também, e eu já tinha aceitado o naufrágio em plena Croácia. E quando já tinha sucumbido no mar croata uma mulher vem correndo atrás de mim com vários banners e encontro lá no meio o banner amassado da Rua Balsa das 10. Rapidamente, antes de se perder novamente com fitas nas mão fui colar o banner que quase não foi na parede do congresso. 

O banner resgatado
Logo encontramos uma portuguesa e logo a balsa começou a navegar pelos mares croatas com um pouco de poesia e um tanto de extravio.

Mares croatas
Voam abraços,

Mayara Floss

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