ESPERANÇA

Foto: praça central em Campina Grande, PB. Ernande, 2015
Ernande Valentin do Prado
Caminhava
por um corredor de paredes muito altas, brancas,
deixando para trás duas mortes.

na frente, do outro lado, distante, te via
como quem vê a luz.

Mãos  
Tremiam sujas: sangue,
não era meu.

Sujas,
as mãos,
limpei nas paredes e nas roupas.

Não,
não senti remorso, nem nojo
só um vazio (mãos tremendo, pegajosas, vermelhas, sujas).

Precisava,
com urgência,
chegar em casa, te abraçar, espalhar seus cabelos louros por entre meus dedos

assim,
tornar-me
alguém melhor.

[Ernande Valentin do Prado publica na Rua Balsa das 10 às 6tas-feiras]

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