migra antros viejos [Julio Alberto Wong Un]

explicar afasta as falas da imaginação
Manoel de Barros, em Menino do Mato



Imaginar deve ser criar imagens. inventar como elas ficarão (ditas, caladas, despidas, soletradas, nuas)

Imagens nuas de explicação. Girassóis do Caeiro. Pastos enérgicos de relva teimosinha.

Assim, depois de uma elipse pelo norte do sul da América, refiz passos em passos. Formas, esquinas, sorrisos, olhares curiosos pelo enigma que é e foi este país que me acolhe.

O bairro negro de Getsemani. Uma frase do discurso de recepção do Nobel do Garcia Marquez que se repete dentro de mim. Incansável. América é mágica. Quão mágica.

Um chinês peruano cantando aos brados a Noélia do Nino Bravo nos becos do bairro negro da cidade muralhada.

Minha companheira descansa. Eu a cuido. Maior alegria do tempo meu. Zelar a calma. Sentir os invisíveis movimentos. Sentir a luz respirar.

Sou migrante de mim mesmo. Sou antropólogo dos meus gestos sagrados. Sou o velho de Getsemani que olha o mundo desde sempre e chega ao limite entre cabelo e cangote, entre luz e pele, entre cheiro e calor.

se explicar, estraga.






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