Luto verde

A borboleta no estádio
O despertador acorda confuso às 4:30 da manhã. Levanto agitada, desligo o modo avião do celular, do meu lado já diz: “caiu o avião com o time da Chapecoense”. Não entendo a informação, não processo, não acredito. Ligo a rádio Colombiana e acompanho resgate por resgate. Segundo por segundo. Amigo por amigo escrevendo que está bem no Facebook, que não embarcou neste avião, começa a correr uma lágrima por dentro. Procuro a camiseta da Chape, aviso a família que ainda dorme, penso na minha irmã que estava procurando passagens para ir para Curitiba na final, “vou a pé”. Lembro ainda quando a Chape estava na série D eu e meu pai assistindo na arquibancada no sol o meu primeiro jogo. Nada é muito digesto, nada dá muita fome. Fica um nada enlutado. As notícias perdeu o pai, o irmão, o namorado, o tio, o amigo. Somos mais do que 11, a cidade vive, luta, luto. Não é só futebol, é gente, é verde, é verdão.

30/11/16
Mayara Floss

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