Quem [Julio A Wong Un]










Almojávenas. Bogotá. 2016. 



para Maria Amélia Medeiros Mano
no aniversário de todos
que é dela







Quem

Nesse assento de ônibus 

Descobre explora encanta indigna sonha

(Cansaço é luxo que nem pensar)

Nesse planeta universo dentro

(Que não termina porque se inventa Total)



Quem não conhece, nem suspeita

Que nela 

Ao abrir pequenas portas há sempre infinitos

Trilhas rios ladeiras sem final

Albertos Bins Albertos Torres Limas e Silvas Josés do Patrocínio

Rodoviárias Aeroportos 

Aviões que não chacoalham

Uma forma do delicado 

Da estrela que ascende a beijar um sol. 



Quem 

que é tu;

Tudo se faz novo a cada vez

Toda sombra fica fresca

Toda segunda pele abriga

Em Canela ou na Vila Madalena

Toda segunda-feira vira sábado

Todo canto espera a hora de brilho e

O invisível despercebido assobia 

Essa toada de infância abraçada

Por baixo das árvores da República 

Das broas de milho 

Dos sorvetes 

De milho 

Do café (com água com gás e pão na chapa e suco de laranja)

Do pesto virando janta

Do carreteiro virando afeto

Do sanduíche de carne de panela 

Que nunca sairá da memória

Das pessoas que a amam de verdade

Como a poucos se ama - sem interesse sem reparos sem medo nenhum



Quem, e nem pergunto, 

Refaz o ser humano para melhor 

Sente vê lê escreve sonha acalanta 

Toda essa paisagem de ecologia de gente 

Que acolhe na simplicidade dos grandes

Na grandeza dos simples 

Na ternura dos médicos verdadeiros

No gesto alegre e brincalhão das molecas



Quem junta milhas pontos 

Milhares de quilômetros de estradas

Dentro de sí 



Quem hoje

Nasce porque

Sempre nasce

Vai virar 

Tema de festa

Arrumação de casa

Resumo de congresso 

Carícia de tempo eterno

Troca de olhar com a criança a retratar

Vai virar tatuagem de lugar eterno

De instante 

Eterno

De

Eterno eterno

De simples nascimento de mundo



Do Bocejo falado ao acordar

E do

Beijo invisível ao adormecer 

Com boas histórias 

E com essa frequência de voz que derruba e traz o bom sono

Que a faz renascer a cada vez



Quem a ama a segue e a cuida

Está no caminho certo - e isso

É uma das poucas verdades absolutas

Que podem nos confortar no incerto 

No finito no ausente na dureza 

Na solidão 



Quem aqui saracoteia espantada do comum

Está aninhada

No cobertor na batinha no tempo 

Que hoje será bondoso e andará 

Leeeeeento

Dooooooooce

Intenso






Así es como debería ser la vida

Eternamente 

La luz de tus ojos

Esa palabra dejada de lado

Un jarrito de café de la Bahía 

Una mujer que sueño y me sueña

En el recóncavo

Claroscuro 

Palabra silenciosa 

Un beso que es una promesa

El adiós que nunca vuelve

Quién diría entonces 

Que vendrían meses vacíos y necesarios

Para que yo saliese del capullo

Hecho mariposa presente

Abrazada a mi misma

Tejiendo nuevas telas de esperanza. 








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