Uni versos [NF]




Somos todos universos. Totalmente díspares uns dos outros. Cores, sensações e sentimentos. Cada qual com suas características mais marcantes. Por ora, andamos por aí tentando nos conectar com outros cosmos. E em cada tentativa, soa como se cada um tivesse, conosco, algo em comum. Alguns gostam das mesmas cores. Outros leem os mesmos livros. Tem universo que tem o mesmo gosto musical que você. E uns raros te entendem quando você fala sobre o quão escuro é por aí. Sobre o quão árduo é enxergar às vezes. Acaba que temos a sensação de sermos menos sozinhos, por causa de todas essas conexões somadas. Chega a um ponto que até mesmo esquecemos o quão solitários somos. E persistimos a lembrar naquele momento em que fechamos os olhos antes de dormir. É que na imensidão negra, só há você. E mais ninguém. 

Quase nunca, quando demos sorte no jogo da aleatoriedade, surge um universo que parece se fundir ao seu. Como uma explosão. E explosões são incrivelmente lindas. E findas. São múltiplas conexões. Dessa vez, todas elas com um só cosmo. Tudo parece fluir. O diálogo funciona. Depois de um tempo de prática, nem o diálogo se faz mais necessário. Os sinais são enviados e completamente decifrados sem nenhuma dificuldade. A questão toda é que a ilusão de ser um só acaba com a gente quando somos desmascarados. Chega um momento em que não conseguimos tocar uma parte do outro. Constatamos, pois: sempre estivemos separados por uma imensidão. E por mais que procuremos entender o porquê, não há resposta alcançável. Um infinito de eventos moldou cada universo. E é exatamente isso que nos torna tão singular. E, igualmente, tão sós.


[NF estuda medicina]




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