tempus fugit, brevis, aeternum [Julio Alberto Wong Un]

2009 TCS

para Natália, Hassan, Patrícia,
Fagner, Priscilla, Eduardo, e todos desse grupo
que hoje andam médicos sonhando tempo, sonhando gesto,
sonhando cuidado,
sonhando vento e sopro do sagrado...




dia das pessoas comprarem para melhor dizerem amar. no bairro novo, na rua artéria intensa de lojas e de compradores comovidos e desejosos de agradar. a amiga Angela me trouxe ao coração do fim do dia. tanta gente que se esquiva, se sacola, se troco e se cartão em 3x sem juros.

eu, de mala de livros pelos quais ninguém daria um real ou talvez vinte no máximo. mochila leve mas grande, malinha com rodinha estourada - mas nova, disse Angela - e uma dignidade que tão somente eu percebo.

ando lento mas firme. passo por lojas, cães, senhoras displicentes, penso revelar mais algumas fotos para enternecer meu tempo dentro de casa mas na loja que gosto não tem nenhum dos vendedores legais, só as duas chatas... dai digo - já vizinho, já do lugar mesmo recém chegado - volto amanhã...

se alimentar é desafio em dia comemorativo... prefiro passar para comprar cera, veja multiusos, golden... coisas para o brilho e a invenção de que estamos limpos...

chegando me preocupa de novo o cheiro do banheiro... a cor dos cabos de luz... a fragilidade de ter coisas amadas no chão...

mas me alegra mais criar ilha de paz, onde o tempo é lento, é vagaroso, é inesquecível...

dentre as fotos por revelar estão as de dois mestres budistas...

há o desafio meu de escrever amanhã e sempre... devo construir disciplina e resistência ...

e no meio desta lista ao acaso me surge a lembrança de antigos estudantes, de há 8 anos. Jovens que hoje estão no segundo ano de residência... deu saudades desde a minha sala... deu saudades do instante da descoberta do mundo comunitário. Do gesto amavel de carinho. Do poder do encontro. 

encontrei uma antiga foto do TCS que eu facilitava... foi um tempo bom embora eu estava ainda me encontrando como educador... eles me ensinaram muito, como ainda os jovens de hoje me ensinam... como sempre aprenderei. Porque nunca nada se repete. 

é isso. este foi meu dia dos namorados....

e no lado norte da América do sul há uma alguém pequenina que me diz que os dias não são iguais, nunca, que tem que comemorar. e comemoro a vida vivida por todos os lados e ángulos, as mãos seguradas em balanço em ritmo em música calada com filhas, amigos, irmãos, estudantes, amadas, família, mundo enfim.

hoje sai de mim essa luz que tanto negava. hoje sou um canto no alto do pé de mangueira, hoje a folha que te enfeita é meu beijo no universo.

assim o dia único, todos os dias de celebrar, todos os dias de amar, até que acordar seja um enorme bocejo de leoa que me comova e reinvente e alimente de paz e aventura e descoberta.

sou isso tudo e todos. Feliz noite dos rios que cantarolam que além da forma está o novo do beijo. O saber do tempo. O instante que me leva e me traz. 









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